TRF5 barra cobrança de ingresso para acessar a Vila de Jericoacoara

Publicada em • Zeudir Queiroz
Foto: Reprodução

A Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5), em Recife, negou nesta terça-feira (21), por 2 votos a 1, o recurso da concessionária Urbia Cataratas, responsável pela gestão do Parque Nacional de Jericoacoara (PNJ). A empresa buscava autorização para cobrar ingresso de quem acessasse a Vila de Jericoacoara, mas a Corte entendeu que a medida fere princípios legais e a autonomia municipal.

Como votaram os desembargadores

  • Relator Paulo Cordeiro: afirmou que a Vila é área municipal, não federal, e que a cobrança para chegar à vila “fere o princípio da razoabilidade”.

  • Paulo Roberto: acompanhou o relator, formando maioria.

  • Edilson Nobre: apresentou voto divergente.

Pelo entendimento vencedor, eventual cobrança só pode incidir sobre atrações dentro do parque, não sobre os acessos que levam à vila.

O que está em disputa

A Vila de Jericoacoara é cercada pelo Parque Nacional (sob responsabilidade federal). Na prática, a proposta da Urbia faria com que mesmo quem quisesse apenas visitar a vila tivesse de pagar. Moradores, empresários e autoridades locais reagiram, alegando violação do direito de ir e vir e risco à economia baseada no turismo.

Reações locais

  • Lucimar Vasconcelos (Conselho Comunitário): celebrou a decisão e disse que o Tribunal compreendeu o “drama” vivido pela vila.

  • Delphine Estevenet (Conselho Empresarial de Jeri): avaliou que a medida preserva a vida econômica da comunidade.

  • Leandro Cezar (prefeito de Jijoca): chamou o resultado de “vitória pelo livre acesso”.

O que pode (e o que não pode) ser cobrado hoje

Desde dezembro de 2024, a cobrança de ingresso para entrar na Vila está suspensa judicialmente.
Permanece vigente apenas a Taxa de Turismo Sustentável (TTS), cobrada pela Prefeitura de Jijoca: R$ 41,50 por visitante para estadas de até 10 dias.

A Urbia planejava iniciar a cobrança em março de 2025, conforme contrato de concessão com o Governo Federal, mas foi impedida por decisões judiciais após protestos e questionamentos.

Mobilização e contexto

Em setembro, manifestações reuniram moradores, empresários e trabalhadores em apoio à Prefeitura e aos conselhos locais. Em nota conjunta, destacaram que milhares de famílias dependem do turismo e que restrições de acesso à Vila poderiam causar impactos profundos na atividade econômica.

O que diz a Urbia

A concessionária sustenta que a cobrança está prevista no contrato assinado com a União, que prevê R$ 116 milhões em investimentos ao longo de 30 anos para infraestrutura, segurança e sustentabilidade ambiental. Afirma ainda que moradores da Vila e trabalhadores dos municípios vizinhos teriam acesso gratuito 24h — ponto contestado por órgãos locais, que dizem não haver cadastramento oficial que garanta essa isenção.

Próximos passos

Apesar da derrota no TRF5, a Urbia pode recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). O debate sobre o modelo de gestão em Jericoacoara segue aberto, buscando equilibrar conservação ambiental e o direito das comunidades tradicionais à livre circulação e ao desenvolvimento sustentável.

Zeudir Queiroz