Trabalhadores vaiam redemoinho como se fosse celebridade em Icó; veja vídeo

Publicada em • Zeudir Queiroz
Foto: Reprodução da web

Um redemoinho de poeira de grandes proporções se formou no Complexo Solar do Bom Jardim, em Icó, no Centro-Sul do Ceará. Em poucos minutos, a coluna de ar ascendente ergueu poeira e pequenos detritos, criando um “tubo” visível que atravessou a área plana do empreendimento.

Reação dos trabalhadores

Com o típico bom humor cearense, operários vaiaram a passagem do redemoinho — costume folclórico em várias regiões — e trataram o fenômeno com apelidos. Entre as brincadeiras, surgiram referências ao Saci-Pererê e à “besta-fera”, numa mistura de espanto e descontração.

Por que acontece mais no segundo semestre

Durante a estação seca, a combinação de baixa umidade, céu aberto e solo muito aquecido favorece correntes de ar que sobem rapidamente. Quando esse fluxo ganha rotação, forma-se o redemoinho (também chamado popularmente de “demônio de areia” e, por confusão popular, “tromba-d’água”).

Casos recentes no Ceará

  • Tabatinga/Maranguape (10 de setembro): câmeras de segurança registraram um redemoinho em uma indústria de água. Não houve feridos nem danos; três anos antes, um evento similar chegou a arrancar telhas do depósito.

  • Cedro (5 de outubro): um “demônio de poeira” surpreendeu jogadores e torcedores durante um torneio amador no Sítio São Vicente, cruzando o campo com ventos fortes e muita poeira.

Entenda o fenômeno (em termos simples)

  • O que é: uma coluna de ar quente que sobe e gira, levantando poeira e pequenos objetos.

  • Velocidade típica: em torno de até ~50 km/h (podendo variar).

  • Tamanho: diâmetro de 10 a 200 metros, dependendo das condições locais.

  • Onde surge: em áreas abertas e planas, com sol forte e pouco vento de grande escala.

  • Comparações: lembra um tornado no formato, mas é muito menos intenso e dura pouco. Não deve ser confundido com tromba-d’água (redemoinho sobre água) nem com ciclones/huracões, que têm outra dinâmica.

Segurança: o que fazer ao encontrar um

  • Evite se aproximar do núcleo; pequenos detritos podem causar arranhões ou irritação nos olhos.

  • Proteja os olhos e a boca (óculos, máscara, ou pano).

  • Espere a passagem — geralmente duram poucos minutos.

Folclore e cultura popular

No Nordeste, o redemoinho costuma ganhar apelidos e histórias — do Saci-Pererê ao “demônio de areia”. As vaias e os gritos são uma maneira bem-humorada de “espantar” o turbilhão, mantendo viva a tradição oral da região.

Redemoinho – vaias :

Zeudir Queiroz