
Reunidos no último sábado, dia 10, no campus do Instituto Federal do Ceará (IFCE), em Quixadá, os Profetas da Chuva apresentaram suas previsões para a quadra chuvosa de 2026 com base na observação dos sinais da natureza. O encontro, que chegou à sua 30ª edição, reuniu agricultores, pesquisadores e visitantes de diversas regiões do Nordeste, reforçando uma tradição que atravessa gerações no Sertão cearense.
A maioria dos participantes indicou a expectativa de um “inverno de fraco a intermediário”, com maior concentração de chuvas entre os meses de março e maio. As análises foram apresentadas com cautela, e apenas uma parcela menor dos profetas acredita em um inverno considerado bom.
Entre os mais prudentes está Aurélio Leal, que avalia a possibilidade de aumento no volume de chuvas a partir do fim de fevereiro, mas ressalta a necessidade de acompanhar a evolução dos sinais naturais ao longo das próximas semanas.
Já alguns profetas demonstraram maior otimismo. É o caso de Jocerlan Guedes, que prevê um inverno regular, com chuvas suficientes para garantir a colheita e contribuir para a recuperação dos mananciais. Segundo ele, a consolidação do período chuvoso deve ocorrer a partir de março.
Autoridades destacam importância cultural e investimentos hídricos
A vice-governadora Jade Romero participou do evento e destacou a relevância cultural e simbólica do encontro, que valoriza os saberes tradicionais do povo sertanejo. Para ela, a escuta desses conhecimentos populares dialoga com a identidade e a história do Ceará.
O secretário dos Recursos Hídricos, Fernando Santana, ressaltou que o Estado segue investindo em infraestrutura para reduzir a dependência exclusiva das chuvas. Ele citou iniciativas como o projeto Malha d’Água e o Cinturão das Águas, voltados à segurança hídrica em diferentes regiões.
Saberes tradicionais seguem vivos no Sertão
Além das previsões climáticas, o encontro reforçou a importância cultural dos Profetas da Chuva, que utilizam técnicas transmitidas de geração em geração. As leituras são feitas a partir da observação do comportamento de animais, insetos, plantas e outros sinais da natureza, mantendo viva uma tradição profundamente enraizada nas famílias do Sertão nordestino.
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