Pacatuba é a 9ª cidade mais preservada do País

Pacatuba possui 1.219 hectares de Mata Atlântica, representando 9% do bioma. Com ano base de 2013, outras cidades cearenses também apresentaram altos níveis de conservação, como Guaramiranga e Frecheirinha
Pacatuba possui 1.219 hectares de Mata Atlântica, representando 9% do bioma. Com ano base de 2013, outras cidades cearenses também apresentaram altos níveis de conservação, como Guaramiranga e Frecheirinha

Estudo realizado pela Fundação SOS Mata Atlântica apontou que Pacatuba, localizada a 35 quilômetros de Fortaleza, ocupa o 9º lugar entre os dez municípios brasileiros que mais conservaram esse ecossistema. A versão mais atualizada do Atlas dos Municípios da Mata Atlântica mostra os dados e rankings sobre o desmatamento verificados em todas as cidades brasileiras que possuem o bioma. O documento, que analisou o período entre 2012 e 2013, foi lançado ontem (17).

Com uma área total de 13.200 hectares, Pacatuba possui 1.219 hectares de Mata Atlântica, representando 9% do bioma. Segundo a pesquisa, uma extensão de 1.053 hectares de vegetação natural permaneceu conservada durante esse período, certificando que 86% da mata não sofreu nenhum dano.

No ranking, Pacatuba está abaixo de municípios como Tamboril do Piauí (PI), com 96% de conservação; Guaribas (PI), também com 96%; Bom Jardim da Serra (SC), com 93%; João Costa (PI), 91%; Caracol (PI), 89%; Santana de Pirapama (MG), 88%; Buenópolis (MG), 88% e Urupema (SC), com 87% de área conservada.

Área

Com ano base de 2013, outras cidades cearenses também apresentaram altos níveis de conservação, como Guaramiranga, com 4.130 hectares de área preservada, representando 69%, e Frecheirinha, com 842 hectares, um total de 65% da área natural.

A mesma pesquisa mostra que, em 2011 e 2012, Pacatuba não fazia parte do ranking dos municípios de maior conservação desse ecossistema. “É um dado muito relevante e de grande avanço para um bioma tão importante como a Mata Atlântica”, afirma o professor do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Ceará (UFC), Jeovah Meireles.

Acesso

Segundo ele, a Serra de Pacatuba, onde concentra a área natural, é de difícil acesso, pois possui poucas vias e moradias, onde só existe possibilidade de percorrer a mata caminhando. “Esses fatores acabam inibindo a especulação imobiliária, a agricultura, a monocultura e a mineração, por ser um terreno íngreme”, afirma.

Apesar da conservação do bioma, Meireles alerta que é preciso continuar dando atenção a essas áreas de conservação. “É importante que essas áreas estejam conectadas. Muitos outros biomas daqui já foram impactados por diversos fatores, ocasionando verdadeiras ilhas. A Mata Atlântica precisa estar ligada a outros ecossistemas com a mesma qualidade ambiental, fato este que não ocorre na Região Metropolitana de Fortaleza, tornando-a ilhada, o que é um risco”.

Em contrapartida, a análise feita entre os anos 2000 e 2013 mostrou que, dos 46 municípios que mais degradaram a Mata Atlântica, três são cearenses: Trairí, Paracuru e São Gonçalo do Amarante.

O Atlas dos Municípios da Mata Atlântica, com base os anos de 2011 e 2012, mostrou as mesmas cidades com os maiores números de área desmatada. Trairí, com o total de 3.230 hectares de área natural, sendo composta por mangue e restinga, degradou 67 hectares de extensão.

O município de Paracuru, com 3.612 hectares de área natural, formada, também, por restinga e mangue, degradou, no mesmo período, 65 hectares.

Outro território cearense que obteve altos índices de desmatamento, nesse período, foi São Gonçalo do Amarante que, com 832 hectares de área natural, constituído a maior parte por restinga, degradou um total de 57 hectares.

Estudo

Sua primeira edição da pesquisa foi lançada em 1990 e revelou a gravidade da situação da floresta, que possuía menos de 8% de sua formação original. Desde então, as informações sobre as alterações na vegetação nativa são sempre atualizadas, fornecendo meios para monitorar, controlar e definir novas Unidades de Conservação.

As análises compreenderam períodos de cinco anos até 2005, e a partir daí o Atlas foi publicado num período menor de tempo, entre 2005 e 2008, 2008 e 2010, e 2010 a 2012. Atualmente, dados atualizados são publicados a cada ano.

Com base em imagens geradas pelo sensor OLI a bordo do satélite Landsat 8, o Atlas da Mata Atlântica utiliza a tecnologia de sensoriamento remoto e geoprocessamento para avaliar os remanescentes florestais acima de 3 hectares.

Algumas regiões, porém, tiveram a captação de imagens via satélite prejudicada em razão da cobertura de nuvens. Uma das mais afetadas é o Nordeste, onde em Estados como a Paraíba não foi possível verificar a ocorrência de supressão da vegetação nativa.

Patrícia Holanda
Especial para Cidade

Fonte: Diário do Nordeste

Zeudir Queiroz