Morre em Canindé o poeta popular Natan Marreiro, voz da cultura sertaneja

Publicada em • Zeudir Queiroz
Foto: Reprodução

Na noite desta terça-feira (20), faleceu em Canindé, no Ceará, o poeta popular José Natan Marreiro, amplamente conhecido como Natan Marreiro. A confirmação da morte foi divulgada por familiares por meio das redes sociais, onde moradores, artistas e admiradores lamentaram a perda de uma das vozes mais representativas da cultura popular do sertão cearense.

Figura carismática da cena cultural de Canindé, Natan manteve viva, por décadas, a tradição da poesia popular nordestina. Era conhecido por declamar seus próprios versos e os de outros autores na histórica Casa Marreiro, ponto de encontro de poetas, artistas, romeiros e visitantes da cidade. Localizada no centro do município, a Casa tornou-se um reduto da cultura popular, reunindo curiosidades, objetos típicos do sertão e uma tradicional banca de folhetos de cordel — marcas da identidade do espaço.

Ao longo da vida, Natan participou ativamente de eventos culturais, romarias e festivais, contribuindo para a preservação do patrimônio imaterial da região. Sua poesia refletia o cotidiano, as tradições e os desafios do povo sertanejo, ultrapassando o campo das rimas para assumir o papel de memória viva da cultura local. Amigos e admiradores o definiram como “voz do povo” e “guardião da tradição”.

O velório e as informações sobre o sepultamento ainda serão divulgados pela família e por organizações locais. A expectativa é de que as homenagens mobilizem a comunidade canindeense e amantes da literatura popular em toda a região.

Quem foi Natan Marreiro

José Natan Marreiro nasceu em Canindé, no estado do Ceará, e desde jovem se dedicou à poesia popular e ao cordel. Filho do poeta e folclorista Raimundo Marreiro, herdou o amor pela arte de versificar e construiu uma trajetória marcada pelo compromisso com a cultura sertaneja.

Por muitos anos, Natan foi o rosto e a voz da Casa Marreiro, espaço fundado pela família que se consolidou como referência para escritores, romeiros e turistas interessados na cultura do interior nordestino. Em suas declamações, abordava temas sociais, religiosos e do cotidiano, conectando gerações por meio da tradição oral e literária.

Poesia, causos e cultura popular fizeram de Natan Marreiro um dos nomes mais respeitados entre os poetas populares cearenses. Seu legado permanece vivo na memória da cidade e na identidade cultural do sertão, atravessando fronteiras entre arte, tradição e pertencimento.

Com informações da Revista Istoé

Zeudir Queiroz