Agricultor comemorou a nova idade ao lado da família em Apuiarés; festa contou com filhos, autoridades e representantes de entidade especializada em longevidade

O agricultor cearense João Marinho Neto, reconhecido como o homem mais velho do mundo, completou 114 anos no dia 5 de outubro. A data foi celebrada com uma festa realizada no último dia 10, em Apuiarés, no interior do Ceará, onde o recordista vive atualmente.
A comemoração reuniu familiares, amigos, profissionais da instituição de acolhimento onde João reside e autoridades municipais. Entre os convidados estavam a prefeita de Apuiarés, Ana Rufino, e Iara Souza, representante da LongeviQuest que participou do processo de certificação da idade do cearense.
Aos 114 anos, João Marinho Neto permanece como uma referência mundial de longevidade. O título de homem mais velho do planeta foi confirmado pelo Guinness World Records em novembro de 2024, quando ele tinha 112 anos. A LongeviQuest também registra a comemoração dos 114 anos do cearense.
Filho percorreu mais de 3 mil quilômetros para participar
O filho mais velho de João, o eletricista aposentado Antônio Arilo Marinho, de 81 anos, viajou de Itapevi, em São Paulo, até Apuiarés para acompanhar a celebração. A distância entre os dois municípios ultrapassa 3 mil quilômetros.
“É realmente uma surpresa para a gente. Todo mundo fica feliz, comemora e passa até a ter mais cuidado”, afirmou Antônio Arilo.
João Marinho teve oito filhos, dos quais seis estão vivos. Cinco deles participaram da comemoração. A família do recordista também é formada por 22 netos, 15 bisnetos e três tataranetos.
Os parentes esperam reunir novamente a família em 2027 para celebrar os 115 anos do agricultor.
Cearense mantém alimentação equilibrada
João Marinho vive em uma instituição de acolhimento para idosos em Apuiarés desde que perdeu a visão em decorrência de catarata. Segundo os familiares, mesmo sem enxergar, ele consegue reconhecer as pessoas pela voz.
A equipe responsável pelos cuidados mantém uma alimentação equilibrada, respeitando também as preferências do aniversariante. Entre os alimentos de que mais gosta estão café, rapadura, uvas e galinha caipira.
De acordo com o filho mais velho, João não apresenta problemas como pressão alta, colesterol elevado ou diabetes.
“Ele estava molinho, por causa da vida e da idade. Mas, até agora, não tem pressão alta, colesterol alto nem diabetes. Só tem idade mesmo. Por isso, achamos que ainda vamos comemorar os 115 anos”, declarou Antônio Arilo.
Aniversário foi compartilhado com australiano
No dia em que completou 114 anos, João Marinho trocou felicitações com o australiano Ken Weeks, considerado o segundo homem mais velho do mundo.
Os dois nasceram em 5 de outubro, mas com um ano de diferença. João nasceu em 1912, enquanto Ken Weeks nasceu em 1913.
O encontro simbólico entre os dois recordistas reforçou a repercussão internacional do aniversário do cearense e a importância do acompanhamento realizado por entidades especializadas em longevidade.
Reconhecimento mundial ocorreu em 2024
Antes de receber o título mundial, João Marinho já havia sido reconhecido como o homem mais velho da América Latina. Essa condição foi alcançada em abril de 2024, após a morte do venezuelano Juan Vicente Pérez Mora, aos 114 anos.
O reconhecimento como homem mais velho do mundo ocorreu depois da morte do britânico John Tinniswood, em 25 de novembro de 2024. Três dias depois, o Guinness World Records confirmou oficialmente o título de João, que estava com 112 anos e 52 dias.
Segundo familiares, o agricultor compreendeu a dimensão da conquista. Um dos filhos mais novos, Marcos Vinícius, contou que o pai chegou a perguntar se existia outra pessoa com a mesma idade.
Vida foi dedicada ao trabalho no campo
João Marinho Neto nasceu em 5 de outubro de 1912, em Maranguape, na Região Metropolitana de Fortaleza. Ainda criança, mudou-se com a família para a zona rural de Apuiarés.
Integrante de uma família de agricultores, dedicou boa parte da vida ao trabalho no campo. Em sua propriedade, cultivava alimentos e criava animais, especialmente gado utilizado para a produção de leite e queijo.
Em 1944, casou-se com Josefa Albano dos Santos, com quem teve cinco filhos. Posteriormente, teve outros três filhos com Antonia Rodrigues Moura.
Ao recordar a própria trajetória durante uma entrevista concedida em 2024, João resumiu sua história com simplicidade.
“Eu tive uma vida feliz, meu filho, com muita saúde. Tudo eu tinha, tinha gado para fazer queijo, tinha tudo”, declarou.
A comemoração dos 114 anos representa mais um capítulo na trajetória do agricultor cearense, que atravessou diferentes gerações e segue cercado pelo carinho dos familiares e das pessoas responsáveis por seus cuidados.
–
Com informações do G1
