Funceme projeta risco elevado de chuvas abaixo da média no Ceará em 2026

Publicada em • Zeudir Queiroz
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A Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) divulgou, na manhã desta quarta-feira (21), o prognóstico climático para a quadra chuvosa de 2026 no Ceará. Segundo o levantamento, o estado tem apenas 20% de probabilidade de registrar chuvas acima da média histórica entre fevereiro e maio.

Em contrapartida, a chance de chuvas abaixo da média chega a 40%, mesma probabilidade atribuída a um cenário dentro da normal climatológica. O quadro gera preocupação adicional porque os reservatórios cearenses operam atualmente com cerca de 38% da capacidade, de acordo com a Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh).

Pré-estação chuvosa entre as mais secas da história

O Ceará enfrenta, em 2026, a segunda pior pré-estação chuvosa já registrada, considerando o volume acumulado de chuvas, conforme a Funceme. O pior resultado ocorreu em 1982, há 44 anos.

A pré-estação compreende os meses de dezembro e janeiro, funcionando como período de transição antes da quadra chuvosa principal. Em janeiro, o estado registrou apenas 10 mm de chuva, muito abaixo da média histórica de 100 mm. Dezembro também apresentou acumulados inferiores ao esperado.

Chuvas de dezembro ficaram 40% abaixo da média

Em dezembro, o acumulado médio de chuvas no Ceará foi de 18,9 mm, enquanto a normal climatológica para o mês é de 31,3 mm, representando um desvio negativo de cerca de 40%.

A distribuição das precipitações foi irregular. O centro-norte do estado concentrou os principais déficits, enquanto áreas do centro-sul registraram volumes acima da média. Entre os maiores acumulados do mês destacaram-se Quixelô (139 mm), Crato (120,3 mm) e Ipaumirim (115,7 mm), volumes que ajudaram a elevar a média regional, apesar da escassez em outras áreas.

Avanço da seca grave preocupa autoridades

Segundo a atualização mais recente do Mapa das Secas, 42,04% do território cearense encontra-se em condição de seca grave, afetando diretamente 95 municípios. Trata-se do pior cenário desde dezembro de 2018 em termos de área atingida.

O agravamento está associado, principalmente, à falta de chuvas no segundo semestre de 2025, período que normalmente contribui para a recomposição hídrica. Entre os impactos já observados estão perdas agrícolas e de pastagens, escassez de água em comunidades rurais e urbanas e restrições no uso da água, sobretudo em municípios mais vulneráveis.

Balanço da quadra chuvosa de 2025

A quadra chuvosa de 2025 terminou com chuvas abaixo da média em 59,4% do território do Ceará, segundo a Funceme. Apenas 5% do estado registrou precipitações acima da média. As regiões mais afetadas pela irregularidade das chuvas foram Sertão Central e Inhamuns, Serra da Ibiapaba e Vale do Jaguaribe.

O volume médio observado no estado foi de 517,6 mm, representando um desvio negativo de 15% em relação à média histórica, que varia entre 512,5 mm e 705,9 mm.

Apesar do cenário geral desfavorável, algumas regiões apresentaram situação mais confortável, como Acaraú, Coreaú, Litoral, Região Metropolitana, Serra da Ibiapaba, Curu e Alto Jaguaribe, com reservatórios operando acima de 70% da capacidade.

Zeudir Queiroz