Imagem registrada no Conjunto Palmeiras foi associada a um bombardeiro norte-americano, mas especialista explica que se trata da combinação de fotografias de satélite

Uma imagem disponível no Google Maps intrigou e divertiu internautas ao mostrar o que parecia ser a sombra de uma grande aeronave sobre o Conjunto Palmeiras, em Fortaleza. O registro viralizou após um vídeo sugerir, em tom de brincadeira, que um bombardeiro norte-americano estaria sobrevoando a capital cearense.
A imagem é verdadeira e pode ser visualizada na plataforma de mapas. A mancha escura aparece sobre residências localizadas entre as ruas Oscarito e Serra Azul e possui um formato semelhante ao de uma aeronave com asas largas.
Apesar da aparência impressionante, não existe qualquer indício de que um avião militar tenha sobrevoado o bairro. A explicação está no processo utilizado para formar as imagens exibidas pelo Google Maps.
Imagem foi formada pela sobreposição de registros
O especialista em renderização de imagens e animação John Lennon de Freitas explicou que a suposta aeronave é resultado da junção de fotografias captadas em momentos diferentes.
As plataformas de mapas não registram áreas inteiras de uma cidade em uma única fotografia. Diversas imagens aéreas ou de satélite são combinadas como partes de um mosaico digital.
“Não existe uma câmera capaz de capturar tudo de uma vez só. Então, são feitos retalhos de imagens. O sistema fotografa uma parte e vai juntando tudo como se fosse um quebra-cabeça”, explicou o especialista.
Segundo John Freitas, alguns trechos podem ter sido registrados em dias ou horários diferentes. A área escura seria uma fotografia mais antiga com sombras de nuvens, enquanto as laterais, sem a mancha, teriam sido atualizadas posteriormente.
A coincidência entre os limites dos recortes e o formato das nuvens produziu a ilusão de uma aeronave. O que parece ser a cauda do avião também seria formado pela sombra de nuvens.
Internautas associaram imagem ao B-2 Spirit
Nas redes sociais, alguns usuários sugeriram que a sombra poderia ter sido projetada por um B-2 Spirit, bombardeiro estratégico utilizado pela Força Aérea dos Estados Unidos.
O modelo possui formato de asa voadora e tecnologia desenvolvida para reduzir sua detecção por radares. Segundo as especificações divulgadas pela fabricante, o B-2 tem aproximadamente 52,4 metros de envergadura, 21 metros de comprimento e 5,2 metros de altura.
A comparação com as dimensões da mancha encontrada em Fortaleza, porém, demonstra que a hipótese não é fisicamente compatível com uma aeronave desse modelo.
Mancha teria aproximadamente 500 metros
De acordo com a medição apresentada por John Lennon de Freitas, a mancha observada no mapa teria aproximadamente 500 metros de uma extremidade à outra.
Isso significa que ela seria quase dez vezes maior do que a envergadura real de um B-2 Spirit. Para produzir uma sombra com aquelas dimensões e nitidez, a aeronave precisaria ter tamanho semelhante ao da própria mancha.
O Sol está, em média, a aproximadamente 150 milhões de quilômetros da Terra. Devido a essa distância, os raios solares chegam praticamente paralelos ao planeta, fazendo com que a sombra projetada tenha proporções próximas às do objeto que a produz.
Mesmo que o avião estivesse em uma altitude muito elevada, a sombra não apareceria ampliada e definida daquela maneira. O aumento da distância entre a aeronave e o solo faria a penumbra se espalhar, transformando a projeção em uma mancha sem contornos reconhecíveis.
“É fisicamente impossível um avião, mesmo muito alto, projetar uma sombra com tanta nitidez quanto aquela. Não é uma aeronave, pode dormir tranquilo”, afirmou o especialista.
Caso provocou brincadeiras nas redes sociais
Depois que a imagem viralizou, internautas cearenses aproveitaram o episódio para publicar comentários bem-humorados.
Alguns brincaram que o suposto bombardeiro teria aproveitado a temporada de ventos no litoral para praticar kitesurf. Outros afirmaram que a aeronave não poderia passar por Sobral porque “derreteria” devido às altas temperaturas da cidade.
“Se eu soubesse que ia dar essa conversa toda, não tinha saído de casa”, escreveu outro usuário, fingindo ser o responsável pela sombra.
O caso mostra como falhas de composição ou coincidências em imagens de satélite podem criar formas curiosas e alimentar teorias nas redes sociais. Neste caso, entretanto, a explicação é simples: trata-se da sombra de nuvens combinada com diferentes recortes de imagens do Google Maps, e não de uma aeronave sobre Fortaleza.
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Com informações do G1
