Santa Cecília encerra operações após 79 anos no transporte coletivo de Fortaleza

Publicada em • Zeudir Queiroz
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Após quase oito décadas de operação, a tradicional empresa Santa Cecília encerrou oficialmente suas atividades no transporte coletivo urbano de Fortaleza. Fundada em 1946 e marcada pela gestão familiar da família Azevedo, a companhia — que também atuou sob o nome Timbira — não resistiu à grave crise financeira dos últimos anos. O anúncio do encerramento foi confirmado nesta sexta-feira (8) pelo Sindiônibus, entidade que representa o setor.

Crise financeira e tentativas de sobrevivência

A Santa Cecília entrou com pedido de recuperação judicial em 2021, tentando reverter prejuízos causados principalmente pela paralisação do serviço durante a pandemia, pelo aumento do preço do diesel em 2022 e pela falta de subsídios municipais à época. Sem recursos para modernizar a frota, a empresa utilizava veículos seminovos ou usados, que passaram a ser restringidos pelas novas exigências de idade estabelecidas pela Etufor. A situação foi agravada por atrasos nos repasses de subsídios por parte da Prefeitura.

Perda de frota e colapso operacional

Nos últimos meses, o cenário tornou-se insustentável. O Banco Volvo retomou dezenas de ônibus financiados, reduzindo ainda mais a capacidade operacional. Sem capital de giro e pressionada por dívidas trabalhistas, a empresa acumulou atrasos nos salários, levando a uma paralisação total após intervenção do sindicato. “Chegou o momento em que os funcionários também não aguentaram mais esperar pelos seus benefícios e proventos”, afirmou um representante da categoria.

Medidas para reduzir impactos à população

Para minimizar prejuízos aos passageiros, a Etufor informou que está monitorando as 31 linhas antes atendidas pela Santa Cecília. Em parceria com o Sindiônibus e outras viações, foram alocados dez veículos de reserva para garantir a continuidade das viagens. Até então, a empresa operava com cerca de 45 ônibus.

Continuidade do serviço em Fortaleza

Mesmo com o encerramento de uma das operadoras mais antigas da capital, o sistema de transporte coletivo de Fortaleza segue em funcionamento. O Sindiônibus destacou que medidas estão sendo adotadas para assegurar o atendimento e mitigar os impactos, mantendo a população informada sobre a situação operacional.

Zeudir Queiroz