Arcebispo de Fortaleza faz apelo contra o feminicídio

Publicada em • Zeudir Queiroz
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O arcebispo de Fortaleza, Dom Gregório Paixão, fez um forte apelo público contra o feminicídio ao comentar o Evangelho do terceiro domingo da Quaresma. Em mensagem dirigida aos fiéis, o religioso classificou a violência contra as mulheres como “uma das chagas mais dolorosas da sociedade contemporânea” e defendeu a construção de um pacto social amplo para enfrentar esse problema que, segundo ele, continua a atingir milhares de famílias no país.

Durante a reflexão, Dom Gregório destacou que a Igreja e a sociedade não podem permanecer indiferentes diante da realidade de tantas mulheres que sofrem violência física, psicológica e moral. Para o arcebispo, combater o feminicídio exige não apenas leis e punições mais eficazes, mas também uma profunda mudança cultural, baseada no respeito, na valorização da vida e na dignidade humana.

O encontro de Jesus com a mulher samaritana

Na mensagem, Dom Gregório relacionou o episódio do encontro de Jesus com a mulher samaritana — narrado no Evangelho de João Evangelista (João 4,5-42) — com a necessidade de promover respeito e dignidade às mulheres. Segundo ele, a atitude de Jesus naquele momento representa um gesto revolucionário para a época.

O arcebispo explicou que, no contexto histórico do período, existiam fortes barreiras culturais, sociais e religiosas que limitavam o diálogo entre homens e mulheres, especialmente entre judeus e samaritanos. Mesmo assim, Jesus se aproxima da mulher, inicia uma conversa e a trata com dignidade, rompendo preconceitos e demonstrando que todas as pessoas merecem respeito e atenção.

De acordo com Dom Gregório, esse episódio bíblico revela um modelo de relação baseado no diálogo, na escuta e no reconhecimento do valor do outro. Para ele, a postura de Cristo continua sendo um exemplo atual e necessário para uma sociedade que ainda convive com diferentes formas de discriminação e violência.

Reflexão sobre a realidade atual

O arcebispo também ressaltou que a passagem evangélica provoca uma reflexão profunda sobre a realidade contemporânea. Segundo ele, embora tenham ocorrido avanços importantes na defesa dos direitos das mulheres, muitas ainda enfrentam situações de violência dentro e fora de casa.

Dom Gregório lembrou que o feminicídio representa a forma mais extrema dessa violência e que o combate a esse crime exige atenção permanente de toda a sociedade. Para ele, famílias, instituições religiosas, escolas e autoridades públicas precisam atuar de forma conjunta para criar uma cultura de respeito e proteção à vida.

O religioso destacou ainda que a violência contra a mulher não pode ser tratada apenas como um problema privado ou doméstico. Trata-se, segundo ele, de uma questão social grave, que exige políticas públicas eficazes, apoio às vítimas e uma mobilização coletiva que envolva todos os setores da sociedade.

Construção de um pacto social

Ao concluir a reflexão, Dom Gregório Paixão reforçou a necessidade de um compromisso coletivo no enfrentamento da violência contra as mulheres. Ele defendeu a construção de um verdadeiro pacto social, capaz de unir diferentes instituições e comunidades na promoção da dignidade feminina.

Para o arcebispo, esse pacto deve envolver não apenas ações de prevenção e punição, mas também iniciativas educativas que promovam o respeito mútuo, a igualdade e a valorização da vida. Ele também incentivou os fiéis a refletirem sobre suas atitudes no cotidiano e a contribuírem para a construção de relações mais justas e fraternas.

Dom Gregório concluiu afirmando que a mensagem do Evangelho convida cada pessoa a ser instrumento de paz, justiça e respeito. Segundo ele, inspirar-se na atitude de Jesus diante da mulher samaritana é um caminho para transformar mentalidades e ajudar a construir uma sociedade onde nenhuma mulher seja vítima de violência.

Zeudir Queiroz