
Em um Brasil que vive com vigor a realidade de mulheres que não se calam diante das injustiças, nada mais icônico do que dois símbolos da luta feminina encerrando ontem a passagem da chama olímpica por Fortaleza.
Coube a Juliana de Faria e Maria da Penha finalizarem o revezamento de 173 condutores da tocha por 35 km na Capital. A primeira, idealizadora da ONG Think Olga, cuja missão é o empoderamento feminino por meio da informação. A segunda, principal nome nacional de luta contra a violência doméstica. Duas gerações unidas por uma causa que deve ser diária e que ontem teve o esporte e uma tocha como pano de fundo.
“A principal finalidade da lei que leva meu nome é proteger a mulher e prender o agressor. Precisamos de um compromisso maior dos gestores púbicos para que em todas as cidades haja sistema para que as mulheres possam denunciar seu agressor”, afirmou Maria da Penha no Aterro da Praia de Iracema, concluindo o percurso de ontem.
Além da presença delas, a passagem da tocha pela Capital ficou marcada também pela ausência de MC Biel. Escalado inicialmente como condutor, o cantor foi cortado na véspera do revezamento após ser denunciado por assédio sexual.
Se o tour da tocha foi encerrado com Maria da Penha às 20h45min, ele foi iniciado no Ceará ainda pela manhã. Aracati e Aquiraz foram responsáveis por receber a chama, vinda do Rio Grande do Norte, antes da chegada à cidade.
A partir das 13 horas, no Castelão, a tocha iniciou seu périplo pela mão de Carlos Alberto Maciel, o Betão. O nadador não escondia a emoção de abrir o revezamento. “É um frio na barriga sem tamanho. Parece que estou na Paraolimpíada”, descreveu momentos antes de entrar no gramado do estádio.
Teve tocha também para quem ainda guarda em casa memórias olímpicas em forma de medalha.
A cearense Shelda foi prata nos Jogos de Sydney e Atenas (2000 e 2004, respectivamente) e viveu pela primeira vez uma experiência olímpica diferente ao conduzir a chama e compartilhá-la com a carioca Adriana Behar, ex-parceira das areias.
Até quem não tem lá tanta ligação com o esporte teve seus 200 metros de intimidade com as Olimpíadas. Vocalistas da banda Aviões do Forró, Xand Avião e Solange Almeida não ficaram de fora do tour.
“A gente leva tanto o nome do Ceará pelo mundo afora e hoje a gente viveu este momento importante aqui. Nunca imaginei que teria a oportunidade de conduzir esse símbolo olímpico”,
comentou Solange.
Hoje, a tocha segue por mais cinco municípios (Caucaia, Itapajé, Irauçuba, Forquilha e Sobral). Amanhã, o fogo olímpico se despede do solo cearense, passando por Massapê, Granja, Camocim e Barroquinha antes de partir para o Piauí. O revezamento se encerra no dia 5 de agosto, na cerimônia de abertura dos Jogos do Rio.
Fonte: http://www.opovo.com.br/
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