TikTok assina acordo para vender operação nos EUA

Publicada em • Zeudir Queiroz
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O TikTok assinou um acordo para a venda de sua operação nos Estados Unidos, segundo um documento interno ao qual a Reuters teve acesso. A informação consta de um memorando enviado aos funcionários e assinado por Shou Zi Chew, CEO da ByteDance, controladora chinesa da plataforma.

Em uma versão inicial da reportagem, a Reuters atribuiu o conteúdo ao site americano Axios, também com base no mesmo comunicado interno.

Estrutura da venda e criação de joint venture

De acordo com o memorando, a ByteDance venderá mais de 80% de sua operação nos EUA para as empresas Oracle, Silver Lake e MGX, sediada em Abu Dhabi. As companhias formarão um novo grupo chamado TikTok USDS Joint Venture LLC.

Essa joint venture será responsável pela proteção de dados, segurança dos algoritmos, software e moderação de conteúdo do TikTok nos Estados Unidos. O acordo deverá ser fechado em 22 de janeiro, e a transação será concluída em até 120 dias a partir da ordem executiva que autoriza o processo.

Participação acionária definida

Segundo o documento, o controle da nova empresa nos EUA ficará dividido da seguinte forma:

  • 50% para um consórcio de novos investidores, incluindo Oracle, Silver Lake e MGX, com 15% cada;

  • 30,1% para afiliadas de alguns investidores atuais da ByteDance;

  • 19,9% permanecerão com a própria ByteDance.

Fim de anos de incerteza nos EUA

O acordo representa um passo importante para encerrar anos de incertezas sobre o futuro do aplicativo de vídeos curtos nos Estados Unidos. Desde agosto de 2020, quando o então presidente Donald Trump tentou, sem sucesso, banir o aplicativo, o TikTok vive sob pressão regulatória. Atualmente, mais de 170 milhões de americanos usam a plataforma regularmente.

Lei de 2024 obrigou a venda

Em 2024, o Congresso dos EUA aprovou uma lei que obrigou a ByteDance a ceder o controle da operação do TikTok no país para que o aplicativo pudesse continuar funcionando. O prazo para a conclusão da venda terminou na última terça-feira (16), após ter sido adiado três vezes por Trump.

A legislação foi criada para evitar um eventual acesso do governo chinês a dados de usuários americanos — uma suspeita que nunca foi comprovada por Trump nem pelo Congresso.

Dados e moderação, segundo a ByteDance

A ByteDance nega qualquer vínculo com o governo chinês e afirma que os dados dos usuários americanos são armazenados em servidores da Oracle nos Estados Unidos. Segundo a empresa, as decisões de moderação de conteúdo também são tomadas em território americano.

Trump evita aplicar a lei

Desde que reassumiu a presidência, em janeiro, Trump tem evitado aplicar a lei. Segundo ele, a legislação poderia gerar insatisfação entre usuários e prejudicar a comunicação política. O presidente, que soma mais de 15 milhões de seguidores no TikTok, afirmou que a rede social contribuiu para sua vitória nas eleições do ano passado. A Casa Branca também criou uma conta oficial na plataforma no mês passado.

Com informações do G1

Zeudir Queiroz