Liberação de reféns e corpos de vítimas

O grupo palestino Hamas anunciou nesta sexta-feira (3/10) que está disposto a libertar reféns e entregar os corpos das vítimas em resposta ao acordo de cessar-fogo proposto pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Em comunicado divulgado pela emissora Al-Jazeera, o movimento afirmou estar pronto para iniciar imediatamente negociações, por meio de mediadores, para discutir os detalhes da proposta.
Participação no futuro governo de Gaza
Apesar da sinalização positiva, o Hamas ressaltou que não abrirá mão de participar das discussões sobre o futuro político da Faixa de Gaza.
Segundo a nota, temas relacionados ao governo de transição e aos direitos legítimos do povo palestino devem ser tratados dentro de um marco nacional palestino coletivo, com a participação ativa do grupo.
Rejeição a Trump e Tony Blair
Mousa Abu Marzouk, autoridade do Hamas, declarou à Al-Jazeera que o movimento rejeita qualquer liderança estrangeira no governo de transição.
“Nunca aceitaremos ninguém que não seja palestino para controlar os palestinos”, afirmou.
Ele também criticou a possível presença do ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair na comissão proposta por Trump:
“Não podemos trazer alguém como Tony Blair para governador em Gaza porque esse homem destruiu o Iraque.”
Ameaça de Trump
Mais cedo, Trump havia dado um ultimato ao Hamas, estipulando até a noite de domingo (5/10) para aceitar o acordo. O ex-presidente norte-americano alertou que, caso a proposta fosse rejeitada, o grupo enfrentaria um “inferno total nunca antes visto”.
Críticas ao acordo
Mesmo aceitando negociar a libertação de reféns, o Hamas reforçou as críticas ao plano, que considera favorável a Israel e desconsidera os interesses palestinos.
O acordo anunciado por Trump e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, prevê:
-
um governo de transição chefiado por Trump, sem participação do Hamas;
-
liberação de todos os reféns de uma só vez;
-
retirada gradual das tropas israelenses de Gaza.
Dirigentes do Hamas manifestaram desconfiança quanto ao modelo, temendo que Israel retome os ataques logo após recuperar os reféns.
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