Pelo direito à marmota em terras próprias, o cearense escolhe as ruas para pulsar a alegria que só guarda quem espera o carnaval chegar. O brincante na Capital bateu o pé que fica e não para enquanto houver zoada e não faltam motivos. São dezenas de blocos espalhados nos mais diversos bairros e a cada ano o “pré” de janeiro é o termômetro do que virá. Carnaval veio com tudo. A gaiatice nos une.
O Maracatu da Avenida Domingos Olímpio foi batucar no Grande Bom Jardim, o samba invadiu o Conjunto Ceará. O casal Nonato e Francisca, 20 anos de amor e alguns carnavais, beijou na boca no Mercado da Aerolândia como nunca mais se houveram, numa singeleza de começo de namoro. A festa mais próxima de casa convenceu a ir.
Namoro novo
Quando blocos carnavalescos começaram a beijar as ruas de Fortaleza, na década de 30, parecia que tudo era pra sempre. Em 1935, Prova de Fogo invade as ruas e se mantém até os dias atuais; dois anos depois, o maracatu de Az de Ouro ganha a avenida. Nos anos 1940, os chamados blocos sujos já faziam a sátira social; nos anos 1980, a banda Periquito da Madame faz sucesso no pré-carnaval da cidade, mas já ali Fortaleza começava a tomar a estrada dos viajantes.
Mas já tem ao menos uma década do movimento crescente, que nos últimos anos saltam aos olhos. Cai confete nas ruas em fevereiro. Onde não tinha uma folia organizada, o sangue festivo vai bater lá.
O Maracatu da Domingos Olímpio vai ao Bom Jardim; o bairro José Walter recebe o samba, Benfica, Centro, Praia de Iracema e Aerolândia, para dizer poucos e bons, celebram em frevo, forró e até brega no meio fio, meio da rua, debaixo da árvore, no meio da praça sem importar se ao pingo do meio dia o sol derrete a fantasia que cobre o corpo todo. O calor não é maior que a alegria de estar lá.
Numa crítica à normalidade, brincantes vestem a fantasia para ser o que são: moleques. Após um movimento de vai-não vai, o Sanatório Geral foi com tudo e tomou as ruas. O Mercado dos Pinhões estremeceu o verde de suas curvas. “Fortaleza tá uma Olinda de rua”, disse uma foliã. “Tá não, mulher, é Fortaleza mesmo”, ouviu da outra.
No Interior, agricultores batucam em homenagem a água. Unidos do Roçado de Dentro, em Várzea Alegre, seguem em cortejo do campo para a cidade e conseguem o mesmo que a chuva: colocar as pessoas na janela e levar com ela os afoitos.
Em Salvador, lá na Bahia, roeram os cordões dos blocos em um ano de homenagem à pipoca. E a rua, mais uma vez, vestiu a fantasia colorida para ser o que ela é: de todos.
Fonte: http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/
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